Justiça condena cinco policiais pela participação da morte de jovem em Manguinhos
A Justiça do Rio de Janeiro condenou, após seis anos, cinco policiais acusados de terem participado do assassinato de um jovem em Manguinhos, na Zona Norte da cidade. A família da vítima lutou para provar a inocência do jovem.
Paulo Roberto Pinho de Menezes tinha 18 anos e era um dos dez filhos da Fátima dos Santos. Na semana passada, a juíza Ana Paula Monte Pena Barros, da Justiça Militar, condenou cinco policiais por envolvimento na morte dele.
O crime ocorreu na madrugada do dia 17 de outubro de 2013. A família conta que Paulo Roberto foi abordado e agredido por policiais num beco da comunidade de Manguinhos.
Na época, os policiais falaram que o jovem tinha usado drogas, caiu e bateu a cabeça.O crime chegou a ser noticiado aqui no RJTV, e amigos de paulo roberto ajudaram a contar o que de fato aconteceu. Eles também identificaram os policiais.
Fátima disse que o filho já tinha sido preso por assalto a mão armada e era ameaçado com frequência pelos policiais. A mãe também conta que os antecedentes do filho tornaram mais difícil provar que ele, na verdade, tinha sido vítima da polícia.
A reconstituição do crime só foi feita quase dois anos depois. Na sentença, a juíza disse que Paulo Roberto estava com três amigos quando foi abordado e, após breve discussão, um dos policiais lhe desferiu um soco na boca.
O jovem ainda recebeu uma coronhada de outro PM e outros policiais – ainda não identificados – socaram e chutaram Paulo Roberto. A Justiça afirma que a morte do filho de Fátima foi "em razão das agressões e lesões sofridas".
Denúncias só em 3% dos casos
Um levantamento do Ministério Público do Rio mostra que de 1.450 mortes em ações da polícia, desde 2016, apenas 47 casos viraram denuncia à Justiça. Pouco mais de 3%
A condenação dos policiais envolvidos na morte de Paulo Roberto é, portanto, um caso raro.
É resultado do trabalho da família, dos advogados e mães de outros jovens mortos dentro da comunidade, que durante seis anos contestaram a versão da polícia.
"Vale a pena a gente estar lutando. O bem mais precioso é o nosso filho. Uma pessoa não pode vir e matar, e achar que vai ficar por isso mesmo. Pessoas que era pra nos defender, tá tirado as nossas vidas", afirmou Fátima.
Os PMs José Luciano da Costa Neto e Rodrigo da Costa Tavares foram condenados por lesão corporal seguida de morte a três anos de prisão em regime aberto.
E os Pms Jorge Cardoso de Araújo Junior, Jeferson Albuquerque Pinto e João Paulo da Silva Rocha foram condenados a dois anos, com direito a suspensão da pena.
"Eles receberam esta pena branda e estão soltos. A prisão do meu filho é eterna. Só vai ficar a lembrança do que ela era pra mim", resumiu Fátima.

